quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

QUEM MATOU MAIS NO SÉCULO XX?

A mulher, o bebê e o intelectual....(L.F.P., na Folha de 30/01/2012)

Os comunistas mataram muito mais gente no século 20 do que o nazismo, o que é óbvio para qualquer pessoa minimamente alfabetizada em história contemporânea.

Disse isso recentemente num programa de televisão. Alguns telespectadores indignados (hoje em dia ficar indignado facilmente é quase índice de mau-caratismo) se revoltaram contra o que eu disse.

Claro, a maior parte dos intelectuais de esquerda mente sobre isso para continuar sua pregação evangélica (no mau sentido) e fazer a cabeça dos coitados dos alunos. Junto com eles, também estão os partidos políticos como os que se aproveitam, por exemplo, do caso Pinheirinho para "armar" a população.

O desespero da esquerda no Brasil se dá pelo fato de que, depois da melhoria econômica do país, fica ainda mais claro que as pessoas não gostam de vagabundos, ladrões e drogados travestidos de revolucionários. Bandido bom é bandido preso. A esquerda torce para o mundo dar errado e assim poder exercer seu terror de sempre.

Mas voltemos ao fato histórico sobre o qual os intelectuais de esquerda mentem: os comunistas (Stálin, Lênin, Trótski, Mao Tse-tung, Pol Pot e caterva) mataram mais do que Hitler e em nome das mesmas coisas que nossos intelectuais/políticos radicais de esquerda hoje pregam.

Caro leitor, peço licença para pedir a você que leia com atenção o trecho abaixo e depois explico o que é. Peço principalmente para as meninas que respirem fundo.

"(...) um novo interrogador, um que eu não tinha visto antes, descia a alameda das árvores segurando uma faca longa e afiada. Eu não conseguia ouvir suas palavras, mas ele falava com uma mulher grávida e ela respondia pra ele. O que aconteceu em seguida me dá náuseas só em pensar. (...): Ele tira as roupas dela, abre seu estômago, e arranca o bebê. Eu fugi, mas era impossível escapar do som de sua agonia, os gritos que lentamente deram lugar a gemidos e depois caíram no piedoso silêncio da morte. O assassino passou por mim calmamente segurando o feto pelo pescoço. Quando ele chegou à prisão, (...), amarrou um cordão ao redor do feto e o pendurou junto com outros, que estavam secos e negros e encolhidos."

Este trecho é citado pelo psiquiatra inglês Theodore Dalrymple em seu livro "Anything Goes - The Death of Honesty", Londres, Monday Books, 2011. Trata-se de um relato contido na coletânea organizada pelo "scholar" Paul Hollander, "From Gulag to the Killing Fields", que trata dos massacres cometidos pela esquerda na União Soviética, Leste Europeu, China, Vietnã, Camboja (este relato citado está na parte dedicada a este país), Cuba e Etiópia.

Dalrymple devia ser leitura obrigatória para todo mundo que tem um professor ou segue um guru de esquerda que fala como o mundo é mau e que devemos transformá-lo a todo custo. Ou que a sociedade devia ser "gerida" por filósofos e cientistas sociais.

Pol Pot, o assassino de esquerda e líder responsável por este interrogador descrito no trecho ao lado, estudou na França com filósofos e cientistas sociais (que fizeram sua cabeça) antes de fazer sua revolução, e provavelmente tinha como professor um desses intelectuais (do tipo Alain Badiou e Slavoj Zizek) que tomam vinho chique num ambiente burguês seguro, mas que falam para seus alunos e seguidores que devem "mudar o mundo".

De início, se mostram amantes da "democracia e da liberdade", mas logo, quando podem, revelam que sua democracia ("real", como dizem) não passa de matar quem não concorda com eles ou destruir toda oposição a sua utopia. O século 20 é a prova cabal deste fato.

Escondem isso dos jovens a fim de não ter que enfrentar sua ascendência histórica criminosa, como qualquer idiota nazista careca racista tem que enfrentar seu parentesco com Auschwitz.

Proponho uma "comissão da verdade" para todas as escolas e universidades (trata-se apenas de uma ironia de minha parte), onde se mente dizendo que Stálin foi um louco raro na horda de revolucionários da esquerda no século 20. Não, ele foi a regra.

Com a crise do euro e a Primavera Árabe, o "coro das utopias" está de volta.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

O CONTRÁRIO DO COMUNISMO NÃO É O CAPITALISMO, É A VERDADE

O texto do MEU amigo Demétrio Magnoli, com quem tive a honra de dividir o tablado entre os anos de 1995-97 e na Editora Moderna, entre 1997 e 2004.

Estado de São Paulo - 2012-01-19

Havel, cebolas e cenouras

*Demétrio Magnoli - O Estado de S.Paulo

Fez ontem um mês que morreu Vaclav Havel. No dia seguinte ao enterro, 80 mil manifestantes reunidos em Moscou interromperam por um minuto o protesto contra Vladimir Putin para homenageá-lo em silêncio. Eles perceberam que o mundo ficou mais pobre sem Havel. O intelectual, dramaturgo e dissidente checo ensinou, ao longo de uma vida, que o contrário do comunismo não é o capitalismo, mas a verdade.

Havel não era um dramaturgo excepcional, nem um ensaísta genial. Contra o cenário fulgurante da vida literária, artística e filosófica da Europa Central, suas peças e seus textos parecem, com apenas uma exceção notável, experimentos secundários. "A obra mais importante de Havel é sua própria vida", disse o romancista Milan Kundera. E, no entanto, ele fez mais diferença que qualquer outro.

A dissidência comunista nasceu junto com a consolidação do poder bolchevique na Rússia. Antes de Hannah Arendt iluminar os paralelos entre o comunismo e o nazismo (Origens do Totalitarismo, 1951), figuras como Victor Serge (É meia-noite no século, 1939), Arthur Koestler (O Zero e o Infinito, 1940) e George Orwell (A Revolução dos Bichos, 1945) cortaram o corpo apodrecido do sistema soviético com o bisturi da literatura e escancararam a natureza do totalitarismo. Havel inspirou-se nesses predecessores para formular o seu diagnóstico: o mal manifestava-se como linguagem - e, justamente por isso, contaminava a sociedade inteira.

O Poder dos Sem-Poder, de 1978, é o grande voo ensaístico de Havel. Escrito logo após um encontro furtivo com o dissidente polonês Adam Michnik, o texto desvendou o segredo do poder comunista tardio. O terror stalinista, com seu cortejo indescritível de opressão e brutalidade, era coisa do passado. No lugar dele se instalara um sistema "pós-totalitário", expressão que não pretendia conotar a superação do totalitarismo, mas uma acomodação essencial das engrenagens de controle da sociedade. O fundamento do sistema residia na mentira ritualizada.

Por que o administrador da quitanda pendura na vitrine, junto com as cebolas e as cenouras, um cartaz com os dizeres "trabalhadores do mundo, uni-vos!"?, indagou Havel. Ele não estava "genuinamente entusiasmado com a ideia da unidade dos trabalhadores do mundo". O cartaz fora "enviado da sede da empresa ao verdureiro, junto com as cebolas e cenouras". O homem expunha-o porque "agia assim há anos", "todos fazem o mesmo" e "tais coisas devem ser feitas para que tudo corra bem na vida". O pós-totalitarismo comunista operava com base no hábito, na imitação, no medo e num interesse pessoal mesquinho. A doutrina que anunciara a libertação de toda a humanidade se conservava no poder pelo estímulo organizado das inclinações humanas à subserviência, à hipocrisia e à covardia. O poder comunista pereceria quando as pessoas sem poder simplesmente se recusassem a desempenhar os papéis deploráveis que lhes haviam sido designados.

Na superfície, não parece existir nenhum traço comum entre Havel e o polonês Leszek Kolakowski. O checo nunca foi comunista; o polonês ingressou no partido na juventude, destacando-se como brilhante promessa. Por motivos políticos, as portas da universidade fecharam-se ao checo; pelas mesmas razões, abriram-se de par em par ao polonês, que cursou filosofia e, em 1950, ganhou uma viagem à "pátria do socialismo". A visita teve consequências inesperadas, pois aquela fresta para a "desolação material e espiritual" da URSS quebrou sua fidelidade ideológica, convertendo-o em dissidente. Mesmo nessa condição, porém, um abismo o separava de Havel: o polonês entregou-se à crítica da filosofia marxista da História, transitando numa esfera teórica distante dos interesses intelectuais do checo.

Entretanto, um fio profundo une Kolakowski a Havel. De volta à Polônia, Kolakowski publicou um ensaio devastador que contestava o núcleo do pensamento marxista. A História não é previsível, escreveu, delineando um raciocínio que o conduziria à conclusão de que o stalinismo não representava uma aberração do comunismo, mas a sua plena realização. O dogma da previsibilidade da História é a fonte da noção de que os destinos da sociedade devem ser depositados no partido. Tal noção, por sua vez, esculpe a linguagem política da mentira, privando a sociedade de valores genuínos e esvaziando a vida pública de qualquer sentido cívico.

A Revolução de Veludo, de 1989, transferiu um relutante Havel dos bastidores do Teatro Lanterna Mágica para o Castelo de Praga. No cargo quase simbólico de presidente da Checoslováquia, ele convidou Frank Zappa para tocar no concerto "Adeus ao Exército Soviético", última performance pública do músico. Também evitou que a separação entre a República Checa e a Eslováquia degenerasse nos horrores do conflito étnico. Há três anos, como ato político derradeiro, Havel inspirou a Declaração de Praga, que classifica o comunismo, ao lado do nazismo, como causa dos mais terríveis crimes do século 20. O documento solicita que o 23 de agosto, data da assinatura do Pacto Molotov-Ribbentrop, seja transformado em dia de memória das vítimas dos dois totalitarismos paralelos.

Dias atrás, a blogueira cubana Yoani Sánchez divulgou um apelo em vídeo à presidente Dilma Rousseff. Yoani foi convidada para a estreia do documentário Conexão Cuba-Honduras, do cineasta Dado Galvão, na Bahia, em fevereiro, mas o governo cubano continua a negar-lhe uma autorização de viagem. Ela não pode viajar porque, como ensinou Havel, escolheu "viver na verdade", recusando-se a seguir o roteiro escrito pelo pós-totalitarismo. Todos nós podemos erguer um brinde em memória do dissidente checo. Dilma tem a oportunidade de homenageá-lo com um gesto especial: intercedendo em favor de Yoani. Nossa presidente fará uso desse privilégio ou preferirá celebrar uma mentira emoldurada por cebolas e cenouras?

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

A ESQUERDOPATIA UNIVERSITÁRIA

Não estava nos planos voltar ao assunto USP. Contudo não posso me furtar a fazer algumas perguntas sobre o que tenho presenciado ali. Ontem, 28/11, o professor Marcelo Barra (Letras), foi agredido por um um aluno (?) que invadiu a sua sala de aula para impedir a realização de uma prova. O prof. Marcelo Barra é daquela maioria silenciosa da USP que não compactua com os esquerdopatas fascistóides que se apoderaram dos DCEs e CAs das universidades públicas desse país. A minha pergunta é muito simples: A PM (que não pediu para entrar no campus, foi solicitada) prender três estudantes usuários de psicotrópicos ilegais (notem que não usei o termo “maconheiros lazarentos”...), aplicar-lhes algumas sanções físicas (notem que não usei o termo “catiripapos”) por conta resistência ao flagrante não pode. Agora, um fascistóide esquerdopata invadir uma sala de aula para intimidar um professor que está aplicando prova pode? Outra pergunta: onde está a Sra. Drta. da FFLCH que prontamente se solidarizou com os estudantes usuários de psicotrópicos ilegais (notem que mais uma vez não usei o termo “maconheiros lazarentos” e nem acrescentei o termo “morféticos”, que dá no mesmo...) e agora se cala diante da agressão a um docente em sua sala de aula e em seu momento de trabalho?

Como quem está na chuva agüenta a brisa e este espaço é democrático (coisa que os esquerdopatas fascistóides não suportam) vale ressaltar alguns pontos no meu post, 3 pontos para ser mais assertivo (por que 3 pontos? Somente alguns entenderão...).
1. Sobre Fascismo: o mesmo é antidemocrático, antiliberal, de partido único, com culto ao líder que se disfarça de representante do partido, prega a educação dirigida e orientada, toda nivelada por baixo e igualada ideologicamente. Estabelece o controle total do indivíduo através do patrulhamento e denuncismo, bem como o controle sobre a iniciativa econômica. É anticomunista (em tempo, sou social-democrata, parlamentarista e municipalista) e não admite, assim como o Totalitarismo de Esquerda (defendido e demonstrado pelos esquerdopatas fascistóides, com os quais convivo, seja na UNICAMP, seja na USP) qualquer manifestação de oposição, por mínima que seja e, quando derrotados democraticamente, apelam para a violência. Portanto, posso ser conservador, pessimista, mas fascista, definitivamente eu não o sou. É necessário informa-se melhor sobre os conceitos antes me acusar disso.
2. Não odeio os usuários de psicotrópicos ilegais (notem, ILEGAIS). Entendo, sim, que o Estado pode gastar melhor o dinheiro público investindo em outras áreas do que reprimindo quem queima mato com o dinheiro do pai, ou com seu próprio dinheiro, vá lá. Minhas expressões são irônicas e sarcásticas, de fato são para chocar, pois se é para escrever e se expor, como me exponho, que seja a tapas e pontapés. Não tenho compromisso em agradar quem me lê, se não gosta, UNFOLLOW é sempre uma boa pedida. Muito da minha posição se dá pelas inúmeras pessoas que pude presenciar se afundando nesses psicotrópicos (legais e ilegais). Alguns retornaram, outros se foram em definitivo. Odeio o sistema que isso engedra, aumentando cada vez o círculo vicioso da violência e descaso social.
3. A questão toda no post reside na indignação gerada em mim (professor) com meu colega de profissão, que faz da sua vocação a sua militância e não de uma ideologia de massa, que tenta impor ao indivíduo um padrão único, com a desculpa de querer criar um “novo homem”. Qualquer sistema que se proponha a isso flerta com o totalitarismo. Esse meu colega foi covardemente cerceado do seu direito de trabalhar por um esquerdopata fascistóide que não suporta o fato de alguém não compactuar com a sua idéia ou do seu grupo (minoritário, diga-se de passagem). Através da intolerância, esse suposto estudante invadiu uma sala de aula, chutando a porta, virando a mesa (literalmente) e intimidando um professor em pleno exercício da sua atividade. Mais uma vez pergunto: onde está a diretoria da FFLCH agora? Lembrando, estou DENTRO da USP e não a 2788 quilômetros de distância. Sobre outros assuntos, se EU julgar necessário, me manifestarei.
É isso.

domingo, 27 de novembro de 2011

Se Deus existe (E Ele existe), que nos livre de sermos obrigados a acreditar nele.

Hoje ouvi muito sobre um fenômeno denominado EVANGELICALIZAÇÃO do Brasil. Sou cristão reformado (em obras constantemente), totalmente falho e com um coração que constantemente tende ao ateísmo, mas Ele não desiste de mim, mesmo quando eu resolvo desistir (e não foram poucas as vezes que o fiz). Contudo, tenho ficado um tanto quando ressabiado com duas coisas que ocorrem dentro do Cristianismo brasileiro (seja ele católico ou protestante - alguns menos informados teimam em chamar de evangélico, eu mesmo uso termo para que o senso comum possa entender):

1. A crescente alienação dos cristãos com o meio que os cerca, criando guetos, com linguagem, gestos e maneiras próprias, que mais assustam do que aproximam aqueles que não são iniciados.

2. Essa alienação gerando uma intolerância semelhante à experimentada na Idade Média, só nos falta a Inquisição.

Nesta semana o NYT trouxe uma reportagem onde colocam um pastor eletrônico (Silas Malafaia) como representante e liderança dos cristãos evangélicos no Brasil. Já adianto, como disse, sou cristão reformado e não sou aquilo que aparece nas madrugadas das TVs e muito menos sou representado por nenhum pastor eletrônico.

Esta nota é por conta de uma reportagem que li numa revista de circulação semanal. Defendo até o direito do sujeito não crer. Mesmo por que a Fé é um presente divino, não da nossa vontade. Leia a reportagem abaixo e você entenderá a minha indignação.

A dura vida dos ateus em um Brasil cada vez mais evangélico

por Eliane Brum para Época


O diálogo aconteceu entre uma jornalista e um taxista na última sexta-feira. Ela entrou no táxi do ponto do Shopping Villa Lobos, em São Paulo, por volta das 19h30. Como estava escuro demais para ler o jornal, como ela sempre faz, puxou conversa com o motorista de táxi, como ela nunca faz.

Falaram do trânsito (inevitável em São Paulo) que, naquela sexta-feira chuvosa e às vésperas de um feriadão, contra todos os prognósticos, estava bom. Depois, outro taxista emparelhou o carro na Pedroso de Moraes para pedir um “Bom Ar” emprestado ao colega, porque tinha carregado um passageiro “com cheiro de jaula”.

Continuaram, e ela comentou que trabalharia no feriado. Ele perguntou o que ela fazia. “Sou jornalista”, ela disse. E ele: “Eu quero muito melhorar o meu português. Estudei, mas escrevo tudo errado”. Ele era jovem, menos de 30 anos. “O melhor jeito de melhorar o português é lendo”, ela sugeriu. “Eu estou lendo mais agora, já li quatro livros neste ano. Para quem não lia nada…”, ele contou. “O importante é ler o que você gosta”, ela estimulou. “O que eu quero agora é ler a Bíblia”. Foi neste ponto que o diálogo conquistou o direito a seguir com travessões.

- Você é evangélico? – ela perguntou.

- Sou! – ele respondeu, animado.

- De que igreja?

- Tenho ido na Novidade de Vida. Mas já fui na Bola de Neve.

- Da Novidade de Vida eu nunca tinha ouvido falar, mas já li matérias sobre a Bola de Neve. É bacana a Novidade de Vida?

- Tou gostando muito. A Bola de Neve também é bem legal. De vez em quando eu vou lá.

- Legal.

- De que religião você é?

- Eu não tenho religião. Sou ateia.

- Deus me livre! Vai lá na Bola de Neve.

- Não, eu não sou religiosa. Sou ateia.

- Deus me livre!

- Engraçado isso. Eu respeito a sua escolha, mas você não respeita a minha.

- (riso nervoso).

- Eu sou uma pessoa decente, honesta, trato as pessoas com respeito, trabalho duro e tento fazer a minha parte para o mundo ser um lugar melhor. Por que eu seria pior por não ter uma fé?

- Por que as boas ações não salvam.

- Não?

- Só Jesus salva. Se você não aceitar Jesus, não será salva.

- Mas eu não quero ser salva.

- Deus me livre!

- Eu não acredito em salvação. Acredito em viver cada dia da melhor forma possível.

- Acho que você é espírita.

- Não, já disse a você. Sou ateia.

- É que Jesus não te pegou ainda. Mas ele vai pegar.

- Olha, sinceramente, acho difícil que Jesus vá me pegar. Mas sabe o que eu acho curioso? Que eu não queira tirar a sua fé, mas você queira tirar a minha não fé. Eu não acho que você seja pior do que eu por ser evangélico, mas você parece achar que é melhor do que eu porque é evangélico. Não era Jesus que pregava a tolerância?

- É, talvez seja melhor a gente mudar de assunto…

Malafaia chama jornalista ateia que criticou evangélicos de 'vagabunda'

26 de novembro de 2011

O taxista estava confuso. A passageira era ateia, mas parecia do bem. Era tranquila, doce e divertida. Mas ele fora doutrinado para acreditar que um ateu é uma espécie de Satanás. Como resolver esse impasse? (Talvez ele tenha lembrado, naquele momento, que o pastor avisara que o diabo assumia formas muito sedutoras para roubar a alma dos crentes. Mas, como não dá para ler pensamentos, só é possível afirmar que o taxista parecia viver um embate interno: ele não conseguia se convencer de que a mulher que agora falava sobre o cartão do banco que tinha perdido era a personificação do mal)

Chegaram ao destino depois de mais algumas conversas corriqueiras. Ao se despedir, ela agradeceu a corrida e desejou a ele um bom fim de semana e uma boa noite. Ele retribuiu. E então, não conseguiu conter-se:

- Veja se aparece lá na igreja! – gritou, quando ela abria a porta.

- Veja se vira ateu! – ela retribuiu, bem humorada, antes de fechá-la.

Ainda deu tempo de ouvir uma risada nervosa.

A parábola do taxista me faz pensar em como a vida dos ateus poderá ser dura num Brasil cada vez mais evangélico – ou cada vez mais neopentecostal, já que é esta a característica das igrejas evangélicas que mais crescem. O catolicismo – no mundo contemporâneo, bem sublinhado – mantém uma relação de tolerância com o ateísmo. Por várias razões. Entre elas, a de que é possível ser católico – e não praticante. O fato de você não frequentar a igreja nem pagar o dízimo não chama maior atenção no Brasil católico nem condena ninguém ao inferno. Outra razão importante é que o catolicismo está disseminado na cultura, entrelaçado a uma forma de ver o mundo que influencia inclusive os ateus. Ser ateu num país de maioria católica nunca ameaçou a convivência entre os vizinhos. Ou entre taxistas e passageiros.

Já com os evangélicos neopentecostais, caso das inúmeras igrejas que se multiplicam com nomes cada vez mais imaginativos pelas esquinas das grandes e das pequenas cidades, pelos sertões e pela floresta amazônica, o caso é diferente. E não faço aqui nenhum juízo de valor sobre a fé católica ou a dos neopentecostais. Cada um tem o direito de professar a fé que quiser – assim como a sua não fé. Meu interesse é tentar compreender como essa porção cada vez mais numerosa do país está mudando o modo de ver o mundo e o modo de se relacionar com a cultura. Está mudando a forma de ser brasileiro.

Por que os ateus são uma ameaça às novas denominações evangélicas? Porque as neopentecostais – e não falo aqui nenhuma novidade – são constituídas no modo capitalista. Regidas, portanto, pelas leis de mercado. Por isso, nessas novas igrejas, não há como ser um evangélico não praticante. É possível, como o taxista exemplifica muito bem, pular de uma para outra, como um consumidor diante de vitrines que tentam seduzi-lo a entrar na loja pelo brilho de suas ofertas. Essa dificuldade de “fidelizar um fiel”, ao gerir a igreja como um modelo de negócio, obriga as neopentecostais a uma disputa de mercado cada vez mais agressiva e também a buscar fatias ainda inexploradas. É preciso que os fiéis estejam dentro das igrejas – e elas estão sempre de portas abertas – para consumir um dos muitos produtos milagrosos ou para serem consumidos por doações em dinheiro ou em espécie. O templo é um shopping da fé, com as vantagens e as desvantagens que isso implica.

É também por essa razão que a Igreja Católica, que em períodos de sua longa história atraiu fiéis com ossos de santos e passes para o céu, vive hoje o dilema de ser ameaçada pela vulgaridade das relações capitalistas numa fé de mercado. Dilema que procura resolver de uma maneira bastante inteligente, ao manter a salvo a tradição que tem lhe garantido poder e influência há dois mil anos, mas ao mesmo tempo estimular sua versão de mercado, encarnada pelos carismáticos. Como uma espécie de vanguarda, que contém o avanço das tropas “inimigas” lá na frente sem comprometer a integridade do exército que se mantém mais atrás, padres pop star como Marcelo Rossi e movimentos como a Canção Nova têm sido estratégicos para reduzir a sangria de fiéis para as neopentecostais. Não fosse esse tipo de abordagem mais agressiva e possivelmente já existiria uma porção ainda maior de evangélicos no país.

Tudo indica que a parábola do taxista se tornará cada vez mais frequente nas ruas do Brasil – em novas e ferozes versões. Afinal, não há nada mais ameaçador para o mercado do que quem está fora do mercado por convicção. E quem está fora do mercado da fé? Os ateus. É possível convencer um católico, um espírita ou um umbandista a mudar de religião. Mas é bem mais difícil – quando não impossível – converter um ateu. Para quem não acredita na existência de Deus, qualquer produto religioso, seja ele material, como um travesseiro que cura doenças, ou subjetivo, como o conforto da vida eterna, não tem qualquer apelo. Seria como vender gelo para um esquimó.

Tenho muitos amigos ateus. E eles me contam que têm evitado se apresentar dessa maneira porque a reação é cada vez mais hostil. Por enquanto, a reação é como a do taxista: “Deus me livre!”. Mas percebem que o cerco se aperta e, a qualquer momento, temem que alguém possa empunhar um punhado de dentes de alho diante deles ou iniciar um exorcismo ali mesmo, no sinal fechado ou na padaria da esquina. Acuados, têm preferido declarar-se “agnósticos”. Com sorte, parte dos crentes pode ficar em dúvida e pensar que é alguma igreja nova.

Já conhecia a “Bola de Neve” (ou “Bola de Neve Church, para os íntimos”, como diz o seu site), mas nunca tinha ouvido falar da “Novidade de Vida”. Busquei o site da igreja na internet. Na página de abertura, me deparei com uma preleção intitulada: “O perigo da tolerância”. O texto fala sobre as famílias, afirma que Deus não é tolerante e incita os fiéis a não tolerar o que não venha de Deus. Tolerar “coisas erradas” é o mesmo que “criar demônios de estimação”. Entre as muitas frases exemplares, uma se destaca: “Hoje em dia, o mal da sociedade tem sido a Tolerância (em negrito e em maiúscula)”. Deus me livre!, um ateu talvez tenha vontade de dizer. Mas nem esse conforto lhe resta.

Ainda que o crescimento evangélico no Brasil venha sendo investigado tanto pela academia como pelo jornalismo, é pouco para a profundidade das mudanças que tem trazido à vida cotidiana do país. As transformações no modo de ser brasileiro talvez sejam maiores do que possa parecer à primeira vista. Talvez estejam alterando o “homem cordial” – não no sentido estrito conferido por Sérgio Buarque de Holanda, mas no sentido atribuído pelo senso comum.

Me arriscaria a dizer que a liberdade de credo – e, portanto, também de não credo – determinada pela Constituição está sendo solapada na prática do dia a dia. Não deixa de ser curioso que, no século XXI, ser ateu volte a ter um conteúdo revolucionário. Mas, depois que Sarah Sheeva, uma das filhas de Pepeu Gomes e Baby do Brasil, passou a pastorear mulheres virgens – ou com vontade de voltar a ser – em busca de príncipes encantados, na “Igreja Celular Internacional”, nada mais me surpreende.

Se Deus existe, que nos livre de sermos obrigados a acreditar nele.

sábado, 12 de novembro de 2011

O texto abaixo não é meu, contudo reflete uma das preocupações que tem assaltado a minha mente nos últimos anos....Há uma crescente feminilização do mundo. Nada contra a mulher (aliás, tudo a favor), o que me incomoda é como cada vez mais homens deixam ser homens, com medo de serem taxados de machistas....

POR QUE ESCOLHI SER TOSCO (Por José Marcos Ribeiro Júnior)

Há algum tempo comecei um movimento denominado #EuEscolhiSerTosco com algumas frases provocantes sobre a tão deturpada masculinidade cristã. Assumi o risco de escrever sobre este assunto na época do politicamente correto e da moda "emo-metrossexual-nãobíblica", o que prá mim é apenas um movimento para manchar a imagem do homem cristão e sensibilizá-lo, tirando dele suas características peculiares de líder em sua igreja, família e comunidade.

Como consequência, os homens estão ficando cada vez mais fragilizados e a igreja cada vez mais femininas. Os cânticos, frases e mensagens são voltados, geralmente, para mulheres e as atividades são cada vez mais idioticamente infantilizadas.Vamos formando, assim, uma geração de "bananas" espirituais que jogam toda a responsabilidade que deveria ser deles no colo de suas mulheres que, sem saída, assumem o papel de mamãezinha num relacionamento onde deveriam ser mulheres e esposas para cuidar do "bebezão" que tem em casa.

A Bíblia é clara quando diz que o homem tem a responsabilidade da liderança, assim, creio que estamos falando de maneira um pouco sarcástica de algo que é inerentemente bíblico!

Gostaria, a título de esclarecimento, mostrar algumas diferenças entre o cristão tosco e o não-tosco.

1 - O não-tosco chega pro culto na hora em que vai começar ou um pouco atrasado. Ele não tem nada prá fazer lá a não ser assistir. Ele "adoooooooora" ser servido. O tosco chega antes porque está liderando alguma coisa e quando vai começar o encontro tudo já precisa estar preparado. Ele se sente honrado em servir.

2 - Um dos motivos que fez o não-tosco chegar atrasado foi o tempo que ele gastou passando creme, gel, escolhendo a roupa e tomando seu banho. O tosco se preparou antes, tomou um banho rápido e se "maquiou" com oração e bíblia!

3 - O não-tosco ou não tem família constituída e mora com o "papí", ou, se a tem, é um peso morto nela. A esposa é quem decide quando e como vão à comunidade religiosa e todas as outras coisas. Se ele morresse, seus filhos sentiriam falta apenas do seu dinheiro. O tosco é o líder espiritual, dando segurança à esposa que vê nele um homem cristão e é espelho pros seus filhos que vêem nele alguém que gostariam de ser!
4 - O não-tosco gosta de Clarice Lispector (nada contra se você é mulher!), teologia liberal que faz de Deus mais uma vovózinha e de cânticos bem melosos! O tosco gosta de Jesus, Pedro (cara muito tosco), Paulo e teologia reformada.

5 - O não-tosco nunca ora em casa. O tosco é quem puxa a oração familiar.

6 - O não-tosco acha normal só ter mulheres ensinando nas mais diversas áreas da igreja e fazendo com que as crianças achem normal uma espiritualidade feminina. O tosco acha isso inadmissível e não tem medinho de se envolver no ensino.

7 - O não-tosco acha esse texto machista, sexista, politicamente incorreto, retrô (palavra bem não-tosca) e outras definições que infestam o mundo de uma teologia deturpada, medrosa e esquisita. O tosco está rindo e querendo fazer mais para mudar a nossa história!

Agora, é claro que só comentários sem palavrão e afins serão aceitos. Os anônimos nem pensar, porque comentário anônimo é coisa de não-tosco.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Reformar ou Demolir, eis a questão...

Há alguns anos postei neste espaço o texto abaixo sobre a Reforma, hoje completam-se 494 anos dela...Meu amigo, irmão, profeta Marquito colocou em seu blog http://ajuntamento.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=287%3Aa-reforma-protestante&catid=19%3Ablog&Itemid=179, alguns apontamentos sobre a mesma, vale a pena dar uma olhada. Por preguiça e preciosismo, pois achei o texto que escrevi bom pra caramba, reproduzo o mesmo de anos atrás.

No dia 31 de outubro de 1517 o monge agostiniano Martinho Lutero afixou nas portas de sua igreja, em Wittemberg, na Alemanha, um anúncio contendo 95 teses contra a venda das indulgências e a infalibilidade do Papa. Esse gesto inaugurou um processo histórico conhecido como Reforma Protestante.

Você que me lê neste momento já é suficientemente crescido para se lembrar de seu pecado mais escabroso, aquele que só de lembrar, estando sozinho, você sente um aquecimento por dentro, as faces ruborizam e a vergonha toma conta do seu ser. Esse mesmo! Lembrou? Pois bem, se fosse possível para você pagar um determinado valor que o livrasse desse sentimento, quanto você pagaria?

Pois bem, durante a Baixa Idade Média (séculos XI ao XVI), disseminou-se a idéia da necessidade de se pagar indulgências para a obtenção do perdão divino, eliminação dos pecados (passado, presente e futuro) e garantia de acesso ao Paraíso, sem passar pelo Purgatório (espécie de ante-sala do Céu, para purificar a sua alma, uma vez que o sacrifício vicário de Cristo não era suficiente, vê se pode isso...). Ah! Se você pagasse o dobro do valor estipulado, poderia escolher um parente morto para livrá-lo do Purgatório também, já que ele morreu sem saber dessa liquidação relâmpago de perdão e salvação.

Após formar-se no seminário, o jovem Lutero foi para Wittemberg, lecionar Teologia do Novo Testamento. Devido à sua sagacidade e raciocínio brilhante, associado às inquietações e indagações típicas do homem renascentista, Lutero logo se tornou um dos professores mais populares da universidade. Passou a ministrar as missas para a cidade também, mas de uma forma totalmente nova, falando de frente para os fiéis, em alemão, quando a prática era de costas para o público e em latim, ou seja, ninguém entendia patavinas... As pessoas saíam da igreja, após a missa ministrada por Lutero dizendo: “Finalmente entendi alguma coisa!” ou “Agora sim!”. Alguns tinham aquela famosa reação bovina: “hmmmmmmmmmmmm...”

O superior de Lutero, o bispo de Tetzel, autorizou a venda de indulgências em Wittemberg, Lutero protestou contra o fato, tentou instruir os fiéis e finalmente afixou as teses na porta da sua igreja. Há que se entender o contexto da época, as igrejas eram o centro social, político, cultural e, de vez em quando, religioso das cidades medievais. Afixar algum anúncio na porta de uma igreja era o mesmo que colocar um anúncio de primeira página no jornal de maior circulação de uma cidade dos dias atuais. Tinha uma divulgação e credibilidade.

Lutero foi chamado a retratar-se de suas teses, sob pena de excomunhão e morte. Pediu 24 horas para pensar e orar, de acordo com a tradição, após esse período, respondeu:

"Que se me convençam mediante testemunho das Escrituras e claros argumentos da razão - porque não acredito nem no Papa nem nos concílios já que está provado amiúde que estão errados, contradizendo-se a si mesmos - pelos textos da Sagrada Escritura que citei, estou submetido a minha consciência e unido à palavra de Deus. Por isto, não posso nem quero retratar-me de nada, porque fazer algo contra a consciência não é seguro nem saudável.

Não posso fazer outra coisa, esta é a minha posição. Que Deus me ajude!” (Worms, 17 de abril de 1525). Nesta ocasião, Lutero tinha 42 anos de idade. Havia publicado as suas teses aos 34 anos. Bons tempos nos quais jovens de 34 anos (e digo jovens, pois para mim, que estou batendo nos 40, todo sujeito abaixo dessa idade é novinho, novinho, ainda mais que temos adolescentes de 40 anos atualmente...) estavam prontos a mudar seu mundo.

Mas isso tudo é História, passaram-se 491 anos. A Reforma é uma realidade no ocidente e no mundo. O Brasil é o país que mais exporta missionários evangélicos. O Protestantismo é o seguimento religioso que mais cresce no nosso país. Aliás, virou moda o sujeito dizer que se converteu. Alguns dos que me lêem lembram-se do tempo em que dizer que era protestante numa sala de aula ou ambiente de trabalho era sinônimo de exclusão, de estranhamento. Um tempo atrás conversava com um amigo, filho de pastor, que me contava das dificuldades para se plantar igrejas no interior do Brasil. Momentos em que ele se lembrava de ficar encolhido, abraçado à sua mãe, dentro de casa, enquanto pessoas apedrejavam a casa pelo simples fato de serem protestantes, ou ainda, de ser colocado isolado na sala de aula, para não se misturar com as outras crianças.

Hoje temos garantida a nossa liberdade na própria lei do país, como isso custou caro. Como o simples fato de domingo eu sair da minha casa, com a minha família, ir para a igreja, encontrar irmãos da mesma fé, louvar, ouvir a Palavra de Deus, tudo isso livremente, sem hostilidades. Só isso já se torna uma grande benção. Mas foi caro, muito caro.

É notório que a igreja protestante necessita de uma nova Reforma, perdemos a simplicidade do evangelho, perdemos a suficiência da Cruz. A cada dia ouço sobre o surgimento de novo profeta ou profetisa, da necessidade de saber mais sobre o inimigo do que sobre Deus, com a desculpa de se estar mais equipado para o “combate”. Ouço sobre o aumento do sectarismo e populismo evangélico, pessoas que vão às igrejas e não entendem o dialeto ali falado ou a coreografia apresentada nesse momento denominado de “louvor”.

Que nesse dia de aniversário da Reforma possamos nos contentar e alegrar com as palavras de Lutero:

Somente Cristo, Somente a Graça, Somente a Fé, Somente a Glória de Deus, Somente a Escritura.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Simplesmente CHICO MOTTA

Reproduzo abaixo um texto do Chico Motta. Hoje recebi a notícia de seu falecimento. É incrível como a morte nos violenta, mesmo sabendo da inevitabilidade da mesma. No caso do Chico, já era aguardada, por conta da rápida falência de seus órgãos. Contudo, a morte nos choca, nos violenta, nos indigna. Para quem não sabe, o Chico era o capelão do HC da UNICAMP, tetraplégico, ele se dedicava a percorrer os corredores do HC, em sua cadeira motorizada, espalhando amor, conforto, consolação a quem não tinha mais esperança, hoje o Deus dele o chamou de volta pra casa e vai recebê-lo com alegria, para restaurá-lo. Antes do texto do Chico, reproduzo a letra da música que ele pediu para que cantássemos no funeral dele, se é que a gente vai conseguir

Eu plantei
No jardim da minha vida lindas flores
Veio o sol e queimou, veio o sol e queimou
A suas cores e seus perfumes
Eu tentei
Colocar em meu sorriso uma mensagem
De amor mas ninguém, de amor mas ninguém
Soube entender minha coragem
Mas vou continuar
Não importa o que aconteça
Eu vou plantar o amor, vou plantar o amor
Vou amar, vou mostrar, vou amar vou mostrar
A quem tem ódio no coração
Que existe um Deus de amor.


A DOR DO LUTO

Já me falaram equivocadamente que, pelo que escrevo, gosto de sofrer. Mas não é isso. O que acontece é que a nossa sociedade hoje prega que alguém só vai ser feliz se não passar por sofrimentos. E isso não é verdade:

“Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas sejam arrebatadas do aprisco, e nos currais não haja gado, todavia, eu me alegro no SENHOR, exulto no Deus da minha salvação.” (Habacuque 3:17-18)

Veja por exemplo quando alguém morre. Todos à volta das pessoas que sofreram a perda se esforçam para que as mesmas não sofram. Como se isso fosse possível! Um viúvo, ou viúva, tem o direito de, a sós, andar pela casa, que agora parece tão vazia, chorando ao experimentar pela primeira vez a ausência do que se foi. Tocar os objetos do amado que morreu, as roupas, livros, a rotina que não vai se repetir mais, deixar vir à tona lembranças, tudo isso dói, e muito. Mas são momentos preciosos, pois nos ajudam a aceitar melhor a nova condição. Não podemos desconsiderar que os “rituais” do luto são terapêuticos.

Quanto aos que querem levar o consolo para quem está passando por essa aflição, basta lembrar que podemos enxugar as lágrimas sem tentar estancá-las, deixando que elas se esgotem naturalmente, no tempo certo, de acordo com a necessidade de cada um. As lágrimas fazem a higienização da tristeza. Não precisamos (e nem temos capacidade) de ter todas as explicações e antídotos para o sofrimento.

Uma jovem senhora, a qual acompanhei na doença e morte do marido, me disse que iria se mudar de casa assim que ele partisse. Na realidade ela já planejara nem entrar mais naquela residência tão cheia de recordações; ela iria para a casa da mãe e o irmão se encarregaria de arrumar outra casa e faria a mudança. Afirmei-lhe que as recordações, por mais doloridas que sejam, são um tesouro de inestimável valor que precisam ser preservados. Uma pessoa “não morre” quando o corpo morre, ela pode continuar viva em nossas mentes e corações. Aquela jovem concordou comigo, mora até hoje onde morou com o marido, sente saudades, é feliz e estruturada.

PARA REFLETIR:

“Porque não tenho prazer na morte de ninguém, diz o SENHOR Deus.” (Ezequiel 18:32)